NOITE DE 21 PARA 22 DE FEVEREIRO DE 1998
Há muito barulho. Pelas frinchas das portadas de um camarote espreito os desfiles. São espectáculos de teatro, comédias de Carnaval. Não gosto. Estão a troçar do nosso País, com caricaturas de portugueses, Zés Povinhos, e as letras são escritas por brasileiros. Recuo, fecho a porta. Estou com duas crianças, e temos de sair dali. Chega um homem e diz:
«Venho entregar os bilhetes».
O homem vem da parte de outro homem. Não sei quem ele é, mas no sonho é alguém que conheço. Pego nos bilhetes, muito aliviada. Parecem selos do correio. Há quatro. O homem diz que são para mim, para as crianças e para outra pessoa que não sei quem é. O homem diz:
«Estes bilhetes são em primeira classe.»
Quero pagar, o homem não aceita. Os bilhetes foram pagos pelo outro homem a quem ele serve. Ele é o homem de recados dele. Eu aceito e compreendo.
Diário dos meus sonhos. My colourful dream diary. Le journal de ma vie ensommeillée.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A água é muito quente mas os camarões estão vivos
NOITE DE 20 PARA 21 DE FEVEREIRO DE 1998 O piso é muito irregular. Começa a ser perigoso. O condutor é um amigo mas guia muito depressa. Os meus filhos vão connosco. Estão sentados no banco de trás. O meu amigo ri-se com os obstáculos. Eu também, mas estou consciente dos perigos. A estrada é perigosa sobretudo para o carro. Eu dou-lhe indicações, como se soubesse, exactamente, todas as curvas, todas as lombas, todos os buracos e precipícios com que nos vamos deparando. A certa altura digo:
– O pior é agora.
E peço-lhe para abrandar. Ele demora a reagir mas abranda mesmo a tempo e pára diante de uma cratera que corta a estrada. Se não tivesse parado enfiava o carro lá dentro. Os meus filhos perguntam:
«O que é que podia ter acontecido? Morríamos?» (nessas circunstâncias). Respondo-lhes que não. Não era assim tão perigoso para nós. Mas o carro ia ficar muito estragado.
Saio e começo a andar a pé. Sozinha. E a estrada é uma estrada marinha, com covas e crateras de praia, o tipo de erosão causado pelas marés. À minha direita há um poço largo e fundo. Tem muitos camarões lá dentro. Puxo-os com uma rede para a superfície. Estão cozinhados e prontos para serem comidos. Como alguns e ofereço outros a pessoas que agora estão comigo. São muito bons. Alguém me pergunta: «Sabes o segredo de cozinhar bem camarões?»
Digo:
«A água deve estar tão salgada como a água do mar. E o tempo de cozedura são oito minutos».
A pessoa que está comigo diz:
«Não. São dez», mas depois emenda: «É verdade, são oito ou sete minutos».
Em frente, sempre à minha direita, há outro lago. Pesco mais camarões e como-os. Mas estes são transparentes porque ainda não foram cozidos. Não consigo comê-los assim: estão vivos. Têm olhos que brilham. A água é muito quente. Penso: é mesmo assim que eles vivem?
Continuo a andar. Chego ao fim da estrada. E no fim da estrada há uma grande cozinha onde trabalham várias pessoas. É uma cozinha que dá comida a muita gente, mas agora, como já passou a hora do almoço, está a acabar de ser arrumada. A cozinheira fica muito preocupada comigo, e quer-me arranjar coisas para eu comer. Acho graça quando ela diz:
«Agora já não há nada», porque, em cima de uma das bancas há uma travessa com os restos do almoço. É uma travessa muito grande com muitas fatias de carne. É para os ajudantes comerem. Ela quer arranjar-me um prato, mas eu não tenho fome.
Dentro da cozinha, num dos desvãos, há um quarto escuro. Na parede ao lado desse quarto escuro alguém colou uma espécie de jornal de parede que traz uma notícia que me inquieta, porque é um jornal de grande circulação. E a notícia diz que a Polícia descobriu, ao fim de 27 anos, quem tinha sido o verdadeiro autor de uns crimes. Nessa época algumas pessoas apareceram enforcadas. Mas afinal tinham sido mortas a tiro. E a arma acabara por aparecer, aos pedaços. O carregador fora encontrado em Matosinhos, o coldre já não sei onde, mas no estrangeiro, e a policia acabara por reunir todas as peças e determinara que fora dali que tinham partido os tiros. A arma, desmontada e já sem poder de acção, estava colocada na parede, ao lado do jornal. Os pedaços da arma eram negros e tinham um brilho fosforescente e assustador. Eu tenho medo que aquela arma se relacione com outra história recente. Uma história de dinheiro. Não me diz respeito, mas envolve pessoas que todos nós conhecemos. E essas pessoas são perigosas.
Depois estou em Cuba com os meus filhos. Encontro muitos jornalistas portugueses, estão ali em trabalho.
Just for the record: na minha vida acordada, o tempo de cozedura dos camarões é mais ou menos 3 minutos.
– O pior é agora.
E peço-lhe para abrandar. Ele demora a reagir mas abranda mesmo a tempo e pára diante de uma cratera que corta a estrada. Se não tivesse parado enfiava o carro lá dentro. Os meus filhos perguntam:
«O que é que podia ter acontecido? Morríamos?» (nessas circunstâncias). Respondo-lhes que não. Não era assim tão perigoso para nós. Mas o carro ia ficar muito estragado.
Saio e começo a andar a pé. Sozinha. E a estrada é uma estrada marinha, com covas e crateras de praia, o tipo de erosão causado pelas marés. À minha direita há um poço largo e fundo. Tem muitos camarões lá dentro. Puxo-os com uma rede para a superfície. Estão cozinhados e prontos para serem comidos. Como alguns e ofereço outros a pessoas que agora estão comigo. São muito bons. Alguém me pergunta: «Sabes o segredo de cozinhar bem camarões?»
Digo:
«A água deve estar tão salgada como a água do mar. E o tempo de cozedura são oito minutos».
A pessoa que está comigo diz:
«Não. São dez», mas depois emenda: «É verdade, são oito ou sete minutos».
Em frente, sempre à minha direita, há outro lago. Pesco mais camarões e como-os. Mas estes são transparentes porque ainda não foram cozidos. Não consigo comê-los assim: estão vivos. Têm olhos que brilham. A água é muito quente. Penso: é mesmo assim que eles vivem?
Continuo a andar. Chego ao fim da estrada. E no fim da estrada há uma grande cozinha onde trabalham várias pessoas. É uma cozinha que dá comida a muita gente, mas agora, como já passou a hora do almoço, está a acabar de ser arrumada. A cozinheira fica muito preocupada comigo, e quer-me arranjar coisas para eu comer. Acho graça quando ela diz:
«Agora já não há nada», porque, em cima de uma das bancas há uma travessa com os restos do almoço. É uma travessa muito grande com muitas fatias de carne. É para os ajudantes comerem. Ela quer arranjar-me um prato, mas eu não tenho fome.
Dentro da cozinha, num dos desvãos, há um quarto escuro. Na parede ao lado desse quarto escuro alguém colou uma espécie de jornal de parede que traz uma notícia que me inquieta, porque é um jornal de grande circulação. E a notícia diz que a Polícia descobriu, ao fim de 27 anos, quem tinha sido o verdadeiro autor de uns crimes. Nessa época algumas pessoas apareceram enforcadas. Mas afinal tinham sido mortas a tiro. E a arma acabara por aparecer, aos pedaços. O carregador fora encontrado em Matosinhos, o coldre já não sei onde, mas no estrangeiro, e a policia acabara por reunir todas as peças e determinara que fora dali que tinham partido os tiros. A arma, desmontada e já sem poder de acção, estava colocada na parede, ao lado do jornal. Os pedaços da arma eram negros e tinham um brilho fosforescente e assustador. Eu tenho medo que aquela arma se relacione com outra história recente. Uma história de dinheiro. Não me diz respeito, mas envolve pessoas que todos nós conhecemos. E essas pessoas são perigosas.
Depois estou em Cuba com os meus filhos. Encontro muitos jornalistas portugueses, estão ali em trabalho.
Just for the record: na minha vida acordada, o tempo de cozedura dos camarões é mais ou menos 3 minutos.
sábado, 17 de outubro de 2009
Os cães de porcelana ficam vivos
NOITE DE 13 PARA 14 DE FEVEREIRO DE 1998
O homem está a limpar estatuetas de porcelana, muito pirosas. E de repente, essas porcelanas são dois cães vivos que vão para a exposição. São galgos. Acho-os muito magros. Depois há outros, alguns têm graça. Um deles salta-me para o colo, e põe-me as patas nos olhos. É muito afectuoso.
No terreno ao lado do nosso há cães muito feios, muito ferozes. Um deles solta-se – não é bem soltar-se, ele nem está preso. Ele sai do terreno dele e vem para o nosso. Todos ficam aflitos, e eu espero que o treinador dele apareça rapidamente, para o buscar. Mas ninguém aparece e o cão fareja tudo. Penso: «vou ter de subir a uma árvore». Não estou muito assustada. É como se a situação estivesse mais ou menos controlada, mas eu preciso de considerar todas as hipóteses.
Depois estou com o meu amigo. Fazemos projectos, como se tivéssemos o tempo todo à nossa frente. E à nossa frente há uma paisagem lindíssima. É uma praia com coqueiros.
O homem está a limpar estatuetas de porcelana, muito pirosas. E de repente, essas porcelanas são dois cães vivos que vão para a exposição. São galgos. Acho-os muito magros. Depois há outros, alguns têm graça. Um deles salta-me para o colo, e põe-me as patas nos olhos. É muito afectuoso.
No terreno ao lado do nosso há cães muito feios, muito ferozes. Um deles solta-se – não é bem soltar-se, ele nem está preso. Ele sai do terreno dele e vem para o nosso. Todos ficam aflitos, e eu espero que o treinador dele apareça rapidamente, para o buscar. Mas ninguém aparece e o cão fareja tudo. Penso: «vou ter de subir a uma árvore». Não estou muito assustada. É como se a situação estivesse mais ou menos controlada, mas eu preciso de considerar todas as hipóteses.
Depois estou com o meu amigo. Fazemos projectos, como se tivéssemos o tempo todo à nossa frente. E à nossa frente há uma paisagem lindíssima. É uma praia com coqueiros.
O meu amigo pega-me ao colo
NOITE DE 10 PARA 11 DE FEVEREIRO DE 1998
O meu amigo pega-me ao colo e leva-me para dentro do carro. É um carro grande e eu vou sentada no banco de trás. À frente vai uma criança que salta para junto de mim, deixando o banco vazio. Então trocamos, e eu vou para junto do condutor. Os bancos são muito confortáveis. São pretos, em pele. Depois é preciso sair, para uma sala que está muito cheia de gente. O condutor pega-me, outra vez, ao colo. Começamo a rir, os dois. Depois chegamos a um quarto e queremos conversar, mas há sempre muita gente a entrar e a sair, e a interromper-nos o tempo todo. Fecho a porta à chave. Volto para junto dele.
O meu amigo pega-me ao colo e leva-me para dentro do carro. É um carro grande e eu vou sentada no banco de trás. À frente vai uma criança que salta para junto de mim, deixando o banco vazio. Então trocamos, e eu vou para junto do condutor. Os bancos são muito confortáveis. São pretos, em pele. Depois é preciso sair, para uma sala que está muito cheia de gente. O condutor pega-me, outra vez, ao colo. Começamo a rir, os dois. Depois chegamos a um quarto e queremos conversar, mas há sempre muita gente a entrar e a sair, e a interromper-nos o tempo todo. Fecho a porta à chave. Volto para junto dele.
Na estação de comboios de Coimbra
NOITE DE 9 PARA 10 DE FEVEREIRO DE 1998
Estou na estação de comboios em Coimbra. Fiz metade do caminho e tenho de comprar o bilhete para o resto. O resto do percurso é para Lisboa. O bilhete é mais caro agora porque «a máquina está sobrecarregada», diz-me o homem da estação. O comboio vem muito devagar porque está outro comboio atrás dele. Não chocam, embora eu, ao olhar para eles, pense que isso até podia ter acontecido. Na estação há muitos homens. Olham muito para mim. Eu olho para o bilhete e para a guia de compra e apanho um susto porque me parece muito mais caro do que, olhando pela segunda vez, verifico ser.
Depois estou num avião que aterra, milagrosamente intacto, graças à perícia do piloto. Não é um local onde um avião deva aterrar, porque não estamos no campo, nem na cidade, mas sim entre montes, num piso muito irregular. É uma aterragem de emergência, e eu chego a pensar que vamos magoar-nos. Fora do avião, agarrada a uma asa, está uma mulher. A mulher grita.
Quando o avião aterra todos fogem, com medo da explosão. Começo a correr, mas depois volto atrás para dar um abraço ao piloto que foi extraordinário. Parece-me injusto não lhe agradecer. Agora já não há perigo de explosão. E ainda por cima, penso com alívio, o avião não ficou danificado.
Imagem: http://tvcoimbraarquivo.com.sapo.pt/102006.htm
Estou na estação de comboios em Coimbra. Fiz metade do caminho e tenho de comprar o bilhete para o resto. O resto do percurso é para Lisboa. O bilhete é mais caro agora porque «a máquina está sobrecarregada», diz-me o homem da estação. O comboio vem muito devagar porque está outro comboio atrás dele. Não chocam, embora eu, ao olhar para eles, pense que isso até podia ter acontecido. Na estação há muitos homens. Olham muito para mim. Eu olho para o bilhete e para a guia de compra e apanho um susto porque me parece muito mais caro do que, olhando pela segunda vez, verifico ser.
Depois estou num avião que aterra, milagrosamente intacto, graças à perícia do piloto. Não é um local onde um avião deva aterrar, porque não estamos no campo, nem na cidade, mas sim entre montes, num piso muito irregular. É uma aterragem de emergência, e eu chego a pensar que vamos magoar-nos. Fora do avião, agarrada a uma asa, está uma mulher. A mulher grita.
Quando o avião aterra todos fogem, com medo da explosão. Começo a correr, mas depois volto atrás para dar um abraço ao piloto que foi extraordinário. Parece-me injusto não lhe agradecer. Agora já não há perigo de explosão. E ainda por cima, penso com alívio, o avião não ficou danificado.
Imagem: http://tvcoimbraarquivo.com.sapo.pt/102006.htm
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
Chuvas e arco-íris
NOITE DE 25 PARA 26 DE JANEIRO DE 1998
Está a chover nos caminhos por onde passamos para ir a um piquenique. É um passeio, um intervalo. A chuva não molha muito, é só uma chuvinha. O chão é arenoso. Há um carro, mas foi à frente. Depois, à minha direita, vejo um arco-íris no céu. É um arco-íris muito bem desenhado, muito nítido, com todas as suas cores definidíssimas. Atravessa, num arco, todo o céu. É um arco-íris que parece de verdade, como se fosse possível tocar-lhe, ou descolá-lo do céu.
[Quando acordo lembra-me as bandas magnéticas do fecho ou do começo das emissões. Ou da sintonização, quando se começa a acertar os canais da televisão.]
Imagem: http://orefletor.wordpress.com/2009/05/
Está a chover nos caminhos por onde passamos para ir a um piquenique. É um passeio, um intervalo. A chuva não molha muito, é só uma chuvinha. O chão é arenoso. Há um carro, mas foi à frente. Depois, à minha direita, vejo um arco-íris no céu. É um arco-íris muito bem desenhado, muito nítido, com todas as suas cores definidíssimas. Atravessa, num arco, todo o céu. É um arco-íris que parece de verdade, como se fosse possível tocar-lhe, ou descolá-lo do céu.
[Quando acordo lembra-me as bandas magnéticas do fecho ou do começo das emissões. Ou da sintonização, quando se começa a acertar os canais da televisão.]
Imagem: http://orefletor.wordpress.com/2009/05/
O soldado todo nu no jipe do general
NOITE DE 20 PARA 21 DE JANEIRO DE 1998
Na cidade onde vivo há um grande exército. Há soldados por todo o lado. Com fardas de camuflado. Estão muito bem dispostos. Há alguns de alta patente. Mas não há guerra. Vejo, quase fora do meu campo de visão, jipes e tanques de guerra. E uns soldados a rir, porque um deles se meteu, todo nu, no carro de um general. E o general mandou-o de volta para o quartel, ou perguntou-lhe qualquer coisa, e ele disse: «sim, mas só se levar duas mulhere nuas, duas prostitutas, uma de cada lado, comigo, para não ter frio». E toda a gente achou muita graça. Até o general.
Depois vou ao cabeleireiro, mas na sala de lavar o cabelo estão muitos soldados. São todos muito miúdos. Estou em Lisboa. E a mulher está a arranjar um saco com cremes para eu levar. Vejo a Alexandra. Acabaram de a pentear. Está muito mal penteada. Só que, como o cabelo dela é tão bom, eu penso:«em casa ela vai arranjar o penteado.» Depois a cabeleireira aponta-lhe a laca, e eu dou um salto e consigo interceptar o jacto pegajoso. Digo-lhe: «nós não usamos essas coisas».
Na cidade onde vivo há um grande exército. Há soldados por todo o lado. Com fardas de camuflado. Estão muito bem dispostos. Há alguns de alta patente. Mas não há guerra. Vejo, quase fora do meu campo de visão, jipes e tanques de guerra. E uns soldados a rir, porque um deles se meteu, todo nu, no carro de um general. E o general mandou-o de volta para o quartel, ou perguntou-lhe qualquer coisa, e ele disse: «sim, mas só se levar duas mulhere nuas, duas prostitutas, uma de cada lado, comigo, para não ter frio». E toda a gente achou muita graça. Até o general.
Depois vou ao cabeleireiro, mas na sala de lavar o cabelo estão muitos soldados. São todos muito miúdos. Estou em Lisboa. E a mulher está a arranjar um saco com cremes para eu levar. Vejo a Alexandra. Acabaram de a pentear. Está muito mal penteada. Só que, como o cabelo dela é tão bom, eu penso:«em casa ela vai arranjar o penteado.» Depois a cabeleireira aponta-lhe a laca, e eu dou um salto e consigo interceptar o jacto pegajoso. Digo-lhe: «nós não usamos essas coisas».
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
This is not a dream tale
This is not a dream tale. It's more like wondering about all those old and recent dreams I've published for a change. It has been such an interesting and enlightening exercise realizing through them how it was then in my awakened life. Somehow they figure out to be a strong and twiested mirror of reality, altough some of them provide much so much more information. I’m convinced that during dream time there is another scale where time doesn’t count the way it counts when we’re awaken.
Then I realize that some of my dreams would carry information from the future, which of course I couldn’t pick up then or now. But then, again, there is so much to know and to learn with and about dreaming.
Then I realize that some of my dreams would carry information from the future, which of course I couldn’t pick up then or now. But then, again, there is so much to know and to learn with and about dreaming.
Vou para a minha estrela e a minha estrela é Tau Ceti
NOITE DE 19 PARA 20 DE JANEIRO DE 1998Alguém está a tentar pôr a trabalhar uma mota de metal reluzente, mas o motor não arranca. Estamos num caminho verde, num planeta vegetal. Ali, a moto não faz sentido. Perguntam-me que tipo de velocidade pode dar uma máquina como aquela, e como é que as pessoas confiam a vida a uma estrutura tão frágil. Respondo: «já andei a mais de 200 km por hora numa mota daquelas». Alguém diz: «que loucura. Por isso é que se morre tanto nas estradas». Eu digo: «quando se anda assim não se tem a consciência do perigo. E é deslumbrante fazer curvas a tocar o chão, àquela velocidade.»
Neste planeta as máquinas não são importantes. Penso: «afinal é possível viver de outra forma, tão evoluída, sem ser preciso cobrir a Terra de destroços.»
Estou ali de passagem. Vou para a minha estrela. A minha estrela é Tau Ceti.
Antes estou na Terra. Dentro de um carro, com outra pessoa. Essa pessoa é uma mulher. Depois, o carro tranforma-se numa nave muito pequena. A mulher diz-me que não tenho de me preocupar com nada a não ser com apertar bem o cinto porque vamos descolar. A velocidade que vamos atingir, para já, são 900 quilómetros por hora. A nave parece uma bolha. Sobe com tanta força que eu não consigo colocar o cinto de segurança. Às vezes ficamos quase de cabeça para baixo. Subimos, subimos, mas apesar de tudo vamos sempre vendo a Terra. Nunca subimos tão alto que nos encontremos no espaço sem fim. E isso, de certa forma, dá-me pena. Às vezes tenho medo que a minha estrutura física não suporte o esforço de elevar a da máquina. É como se o esforço de levar a máquina para o céu seja suportado por mim e pela mulher que está ao meu lado.
Depois estamos naquele planeta verde, que fica fora do sistema solar. E há um mapa de estrelas, e parece quase um mapa mundo da Terra. Mas na zona marcada a negro que assinala o ponto onde estamos (e onde, parece já chegamos há algum tempo), faz-me lembrar o corno de África. Em seguida mostram-me os outros mapas com as rotas que é preciso seguir para ir para a minha estrela. E explicam-me o significado do tempo. A estrela para onde eu vou fica a dez (?) anos-luz da Terra. Pelas rotas normais, dos astronautas, significaria que seriam preciso mesmo dez anos do tempo da Terra para lá chegar. Mas, dizem-me que essa forma de viajar é completamente obsoleta. Ninguém que anda pelas estrelas a utiliza, «porque não há tempo para isso».
Depois estamos naquele planeta verde, que fica fora do sistema solar. E há um mapa de estrelas, e parece quase um mapa mundo da Terra. Mas na zona marcada a negro que assinala o ponto onde estamos (e onde, parece já chegamos há algum tempo), faz-me lembrar o corno de África. Em seguida mostram-me os outros mapas com as rotas que é preciso seguir para ir para a minha estrela. E explicam-me o significado do tempo. A estrela para onde eu vou fica a dez (?) anos-luz da Terra. Pelas rotas normais, dos astronautas, significaria que seriam preciso mesmo dez anos do tempo da Terra para lá chegar. Mas, dizem-me que essa forma de viajar é completamente obsoleta. Ninguém que anda pelas estrelas a utiliza, «porque não há tempo para isso».
E eu vejo, num sistema tridimensional, a imagem de uma luz que avança como um piscar de olhos, materializando-se numa cintilação a tracejado, agora aqui, depois acolá. Num momento é um ponto de luz aqui, no outro é um ponto de luz muito mais à frente:«É assim que se viaja pelas estrelas» -- expicam-me.

Sei que foi assim que viajei até aquele corno de África zodiacal. E pergunto à pessoa que está comigo -- e que nunca vejo -- se não é esse o princípio da física quântica. A pessoa diz: «é esse exactamente. Ondas e corpúsculos, luz e energia, a matéria reduzida á expressão mais simples, onde já não há matéria, mas só energia». Diz-me muito mais coisas, que esqueço.
Agora tenho de voltar á Terra, porque sim. E estou num sítio que é a minha casa da terra, a reunir papéis que preciso de levar. Meto esses papéis dentro da pasta amarela onde tenho já todos os meus manuscritos. E telefonam-me para dizer que o táxi já chegou e eu tenho aí uns cinco minutos para descer para ele me levar ao local onde a nave me aguarda. Então a mãe da Alexandra vem ao telefone dizer-me que fez um café e tem pão para eu não ir em jejum, e que ainda dá tempo para passar lá por casa. E depois estou em casa, na casa de Lisboa, com a Marta e ela arranjou a casa que está lindíssima. A casa de banho está muito maior. Está na mesma mas está muito melhor. E ela tirou os dinossauros da banca, que agora está praticamente vazia, há um armário debaixo do lavatório, mas como essa área aumentou imenso, praticamente ao se vê. E em cima da banca há uma jarra com gladíolos vermelhos.
E eu abro com uma facilidade incrível uma garrafa de Raposeira.
E eu abro com uma facilidade incrível uma garrafa de Raposeira.
O homem gordo embebedou os sete dálmatas com champanhe
NOITE DE 13 PARA 14 DE JANEIRO DE 1998
Um jardim renovado muito recentemente. Era antigo, mas as plantas antigas estão secas. Há canteiros, muito compridos, paralelos, onde desponta uma erva nova, muito verde. Muito verde e muito brilhante. Um dos canteiros está quase todo coberto com um tapete vegetal novo. O outro canteiro mostra tufos de relva igualmente verde e brilhante, a emergir da terra castanha, onde antigos tufos de outra relva estão secos e mortos. O jardineiro explica que não se podia semear já a todo o comprimento a relva nova, mas sim colocá-la daquela forma para ela fincar bem as raízes e estender-se para conquistar todo o espaço.
Eu e o meu irmão vamos a correr e a saltar ao longo daquele canteiro. Temos o cuidado depôr os pés na terra seca para não pisar a relva nova. E é como se estivessemos a brincar.
Há um homem novo, de camisa aberta, e é gordo, e um pouco infantil. Esteve a beber, mas não vai beber mais. Entretanto embebedou com champanhe sete dálmatas. Leva-os a todos pela mesma trela. O Carnaval acabou, mas ele ainda tem serpentinas e confetis na cabeça. Coisas brilhantes. E a sala também tem vestígios de Carnaval.
A Pat entra e dá-me um grande abraço e os parabéns por voltar. Eu digo: isso ainda não está resolvido. Estou com a Alexandra, que está a ser contactada por alguém para ir ajudar a Luisa que enlouqueceu e está a tentar suicidar-se com facas. A Xana vai tentar dissuadi-la. Penso: não vale a pena.
Um jardim renovado muito recentemente. Era antigo, mas as plantas antigas estão secas. Há canteiros, muito compridos, paralelos, onde desponta uma erva nova, muito verde. Muito verde e muito brilhante. Um dos canteiros está quase todo coberto com um tapete vegetal novo. O outro canteiro mostra tufos de relva igualmente verde e brilhante, a emergir da terra castanha, onde antigos tufos de outra relva estão secos e mortos. O jardineiro explica que não se podia semear já a todo o comprimento a relva nova, mas sim colocá-la daquela forma para ela fincar bem as raízes e estender-se para conquistar todo o espaço.
Eu e o meu irmão vamos a correr e a saltar ao longo daquele canteiro. Temos o cuidado depôr os pés na terra seca para não pisar a relva nova. E é como se estivessemos a brincar.
Há um homem novo, de camisa aberta, e é gordo, e um pouco infantil. Esteve a beber, mas não vai beber mais. Entretanto embebedou com champanhe sete dálmatas. Leva-os a todos pela mesma trela. O Carnaval acabou, mas ele ainda tem serpentinas e confetis na cabeça. Coisas brilhantes. E a sala também tem vestígios de Carnaval.
A Pat entra e dá-me um grande abraço e os parabéns por voltar. Eu digo: isso ainda não está resolvido. Estou com a Alexandra, que está a ser contactada por alguém para ir ajudar a Luisa que enlouqueceu e está a tentar suicidar-se com facas. A Xana vai tentar dissuadi-la. Penso: não vale a pena.
Portas e caminhos secretos na cidadela
NOITE DE 13 PARA 14 DE JANEIRO DE 1998
Uma cidade. Uma torre. Portas fechadas, muralhas e ameias. Eu e a Susana. Tento lembrar-me de um caminho secreto e muito antigo que liga os aposentos da ala onde estamos, a outra construção, no sopé do monte, onde fica a cidade.
Lembro-me que parecia magia: aparecíamos como se nos materializássemos num ou noutro lado, sem que ninguém nos visse nunca entrar ou sair. Além disso, as portas terminais, em ambos os casos, eram sempre fechadas à chave por dentro.
Subitamente recordo: há um tunel. Mas é tão estreito nalguns sectores que é quase preciso ser-se criança para conseguir atravessar todo o percurso.
Uma das entradas/saídas é numa casa de banho. A outra, numa cozinha. Na casa-de-banho é quase um ralo, e fico espantada por ter conseguido passar algumas vezes por lá.
Estamos na torre. O chão da casa-de-banho é tão liso que não parece ter nenhuma entrada ou saída. Depois vamos até á cozinha, mas agora estamos noutro extremo. Cá em baixo. A cozinha é uma espécie de cave. Há uma janela é um parapeito ao nível do chão de lá de fora. E é nesse largo parapeito que fica uma das entradas secretas. Peço um banco á Susana. Explico-lhe que mais difícil do que entrar ou sair por ali foi descodificar, nos papéis antiquíssimos, o enmigma daquele percurso que estava todo em código. Como se fosse um jogo, ou uma magia. Vou-lhe passando para a mão, cá em baixo, livros de cozinha, e pacotes de farinha ou de grão, para libertar a entrada para o túnel. Depois é preciso fechar tudo para ninguém descobrir.
E agora estou cá em cima, na cidadela e ligo-lhe para o telemóvel para saber se ela não está a sentir dificuldades. Aparentemente não.
Depois saímos as duas, ao mesmo tempo, a rir. Há uns homens que são de lá, e ficam muito espantados connosco, porque não sabíam que lá estavamos. Não lhes podemos contar o segredo.
Uma cidade. Uma torre. Portas fechadas, muralhas e ameias. Eu e a Susana. Tento lembrar-me de um caminho secreto e muito antigo que liga os aposentos da ala onde estamos, a outra construção, no sopé do monte, onde fica a cidade.
Lembro-me que parecia magia: aparecíamos como se nos materializássemos num ou noutro lado, sem que ninguém nos visse nunca entrar ou sair. Além disso, as portas terminais, em ambos os casos, eram sempre fechadas à chave por dentro.
Subitamente recordo: há um tunel. Mas é tão estreito nalguns sectores que é quase preciso ser-se criança para conseguir atravessar todo o percurso.
Uma das entradas/saídas é numa casa de banho. A outra, numa cozinha. Na casa-de-banho é quase um ralo, e fico espantada por ter conseguido passar algumas vezes por lá.
Estamos na torre. O chão da casa-de-banho é tão liso que não parece ter nenhuma entrada ou saída. Depois vamos até á cozinha, mas agora estamos noutro extremo. Cá em baixo. A cozinha é uma espécie de cave. Há uma janela é um parapeito ao nível do chão de lá de fora. E é nesse largo parapeito que fica uma das entradas secretas. Peço um banco á Susana. Explico-lhe que mais difícil do que entrar ou sair por ali foi descodificar, nos papéis antiquíssimos, o enmigma daquele percurso que estava todo em código. Como se fosse um jogo, ou uma magia. Vou-lhe passando para a mão, cá em baixo, livros de cozinha, e pacotes de farinha ou de grão, para libertar a entrada para o túnel. Depois é preciso fechar tudo para ninguém descobrir.
E agora estou cá em cima, na cidadela e ligo-lhe para o telemóvel para saber se ela não está a sentir dificuldades. Aparentemente não.
Depois saímos as duas, ao mesmo tempo, a rir. Há uns homens que são de lá, e ficam muito espantados connosco, porque não sabíam que lá estavamos. Não lhes podemos contar o segredo.
sábado, 20 de dezembro de 2008
Let's dream together with ONIROS
The ideia came from ONIROS. Each year, at the time of the winter solstice (in the northern hemisphere), the solar Christmas, Oniros association organizes a Planetary dream to which everyone is invited to take part.For more information to participate, go to :http://www.oniros.fr/reves08.html (version française)http://www.oniros.fr/dreams08.html (english version)
quinta-feira, 26 de junho de 2008
“You are not human. Who are you?”
Sopot, Poland, night 22/06/08This baby is born. They put him in my arms, I hold him. I lay down on the floor, my huge belly and my huge me reclined like a huge Etruscan lady. I think “aye! carrying a baby in our own body can do that to its shape”. Although I’m quite surprised for not having a single memory about my pregnancy. There are more people around in the room. I see Mozza and Otto. Then this baby starts crawling on all fours escaping from my arms and I realize how this is weird. We are in a terrace, and I’m telling Otto: “this house is quite ok, except for its lobby and hall. They must be repainted.” Then I realize that the hall is much bigger than I thought it was, but its walls are some how damage and black painted which it is not a good colour cause doesn’t allow us to see how beautiful and in good shape the house is. Then I see its enormous attic. I tell Otto: “This attic is so great; you could make a bar and a restaurant out of it. It has a splendid view all over the city”.
So, as this baby comes again to my arms I remember that the best way to keep him calm and quiet is to nurse him. He is a sucking child but I’m afraid I don’t have milk. Astonishingly I realize my teats are full of milk as this voracious baby tries to suck holding my breast with his two little and energetic hands and opening his little mouth like a bird. This baby is very, very, strange to me. He has little teeth and his eyes are not human child's eys. I change breast to help him to suck but he’s just not able to do that like babies do: he can just avidly swallow the milk drop by drop in a bird way or something like that. I’m quite astonished about the plentifulness of milk my breast is producing but I don’t know what else do with this baby. I think I have to ask Carlos C. what to do about this as I’m more and more aware how strange this seams. I say to this baby “you are not human. Who are you?” I am very angry. I’m not emotionally bounded with this baby nor is this baby emotionally attached to me. This baby’s eyes are cold. This baby only wants to be nourished but he doesn’t recall for love at all. I just want to get rid of him.
So, as this baby comes again to my arms I remember that the best way to keep him calm and quiet is to nurse him. He is a sucking child but I’m afraid I don’t have milk. Astonishingly I realize my teats are full of milk as this voracious baby tries to suck holding my breast with his two little and energetic hands and opening his little mouth like a bird. This baby is very, very, strange to me. He has little teeth and his eyes are not human child's eys. I change breast to help him to suck but he’s just not able to do that like babies do: he can just avidly swallow the milk drop by drop in a bird way or something like that. I’m quite astonished about the plentifulness of milk my breast is producing but I don’t know what else do with this baby. I think I have to ask Carlos C. what to do about this as I’m more and more aware how strange this seams. I say to this baby “you are not human. Who are you?” I am very angry. I’m not emotionally bounded with this baby nor is this baby emotionally attached to me. This baby’s eyes are cold. This baby only wants to be nourished but he doesn’t recall for love at all. I just want to get rid of him.
segunda-feira, 16 de junho de 2008
Muitos sonhos esquecidos
Em todo o caso os sonhos têm sido muitos, caóticos, e esfarrapam-se no tecido das manhãs. Esqueço-os mal acordo. Not a big story to tell.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Divine Inspiration? Hum... sounds gooood.
The Dream Interpretation Test
My Result: Divine Inspiration
If you're dreaming about feeling deeply connected to the universe and to those around you, you're having dreams of Divine Inspiration. These involve situations in which you feel free of burdens or constraints, and you have positive relationships that don't hold you back. Having Divine Inspiration dreams mean that you're likely tapping into a sense of uplifting freedom and awe of the greater things in life. Common Divine Inspiration dreams are of flying, being surrounded by an intensely beautiful natural setting, or having a pleasurable physical connection with someone.
What are you?
http://web.tickle.com/jumpto?test=dreamsogt&c=50652
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
This is a dream and I KNOW IT
Porto, 22nd to 23rd May 2008I’m running, I don’t quite remember why. Some people are chasing me, but it’s more like a game, nothing really worthy to be frightened of. As I enter this house’s small garden I see staircase down the hill, steep stairs stone made. Running down I feel the soil trough my shoe’s rubber sole. I’m wearing my Melissa shoes wedge heel. Somehow it’s almost flying down more than running and I’m amazed I don’t fail the steps. I see garbage boxes aligned regularly in certain points of the staircase, they’re all closed, all alike, but near one of them there’s some boiled rice in the floor. Someone was a little careless with garbage stuff I think as I keep on running down.
Being very conscious of the physical issues – the soil trough my shoes, the roughness of the stair stone, the way I’m going down – I realize I'm dreaming, and that’s so exhilarating that I must control my joy to avoid waking up. “It’s a dream, and I’m waked up. Uhauu!!”
Being very conscious of the physical issues – the soil trough my shoes, the roughness of the stair stone, the way I’m going down – I realize I'm dreaming, and that’s so exhilarating that I must control my joy to avoid waking up. “It’s a dream, and I’m waked up. Uhauu!!”
So I decide that I’ve had enough of staircases and garbage boxes and running away: “If this is all but a dream I want to change places. I want to go to a beautiful enchanted palace”.
And as I say so I realize I’m flying up and up, in a middle of darkness. That’s nothing to do with dark places or terrifiynng stuff, it’s only an absence of images at all, as I denied the landscape I was plunged in. It’s nothing scary or whatsoever. It’s cosy, and I feel good as I’m claiming up and up. Awaked. Full of joy. I don’t reach the palace,but I don’t’ remember where I got up into. It was a change all right, but then I loose the awakened control.
quarta-feira, 5 de março de 2008
Gosh, I must be so strong all the time
Night 3rd to 4th March 2008
They are chasing after me. I see one of them. It's a policeman. He has some papers in his left hand. He's in front of me and calls my name. I assume I am who I am right away. I did nothing wrong or whatsoever. So he puts those papers in my hand and I cannot avoid trembling a little. Anyway, I face him showing no fear. The place is a little crowded but nobody seams to pay attention to us. Then I have to climb on a kind of a ladder and as I need both hands to do that I have to put those papers in my mouth. Now I think those papers are kind of a passport.
Then I'm flying away in a small helicopter. My legs are hanging outside and my arms and hands strongly crapped to the floor. We are crossing the seaside. I know there is no door because we have to jump right away when it stops. But it's quite scarring flying that way feeling the wind and the all the movements. I fear to loose my strength and being thrown over board. "Gosh, I must be so strong all the time", I think.
They are chasing after me. I see one of them. It's a policeman. He has some papers in his left hand. He's in front of me and calls my name. I assume I am who I am right away. I did nothing wrong or whatsoever. So he puts those papers in my hand and I cannot avoid trembling a little. Anyway, I face him showing no fear. The place is a little crowded but nobody seams to pay attention to us. Then I have to climb on a kind of a ladder and as I need both hands to do that I have to put those papers in my mouth. Now I think those papers are kind of a passport.
Then I'm flying away in a small helicopter. My legs are hanging outside and my arms and hands strongly crapped to the floor. We are crossing the seaside. I know there is no door because we have to jump right away when it stops. But it's quite scarring flying that way feeling the wind and the all the movements. I fear to loose my strength and being thrown over board. "Gosh, I must be so strong all the time", I think.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Um barco a remos no asfalto da cidade
NOITE DE 30 DE SETEMBRO PARA 1 DE OUTUBRO DE 1997
Chegamos ao rio e vamos atravessá-lo e estou eu e a Xana. E o rio está escuro, o céu carregado de nuvens e um barqueiro que não vejo directamente diz que, nestas condições, não nos leva para o outro lado, porque não é seguro. E nós vamos para o Montijo. E o barqueiro é uma mulher e, estranhamente, vamos num barco a remos. E agora estamos no meio do rio, só que ela rema com uma velocidade incrível e a travessia faz-se com muita rapidez. Já não há céu escuro nem carregado e nós até já nem vamos para o Montijo. Parece perigoso mas é seguro. Há um passageiro a remar ao mesmo tempo e lado a lado com a barqueira. Ele está a remar porque quer. Ela não lhe pediu nada. Depois o barco está a andar tão depressa e já não é no rio. E a barqueira continua a remar, o mesmo passageiro continua a ajudá-la e remam os dois muito bem. O passageiro é um homem novo, um rapaz suponho. Até pode ser que seja o Drew. Só que agora andam de barco no asfalto da cidade, a grande velocidade. Eu grito-lhes que parem. O barco a remos desvia-se de carros, nos cruzamentos, e os carros desviam-se do barco a remos que não tem travões. E as ruas são largas, rodeadas de casas com jardins e cruzamentos com muita visibilidade. É uma zona periférica mas muito boa. A aquela forma não é a melhor, mas era a que estava à mão, porque nós já lá estávamos dentro. O barco agora está num cruzamento, parou entre automóveis que se desviam, e outros que também pararam. Não há engarrafamentos.
Chegamos ao rio e vamos atravessá-lo e estou eu e a Xana. E o rio está escuro, o céu carregado de nuvens e um barqueiro que não vejo directamente diz que, nestas condições, não nos leva para o outro lado, porque não é seguro. E nós vamos para o Montijo. E o barqueiro é uma mulher e, estranhamente, vamos num barco a remos. E agora estamos no meio do rio, só que ela rema com uma velocidade incrível e a travessia faz-se com muita rapidez. Já não há céu escuro nem carregado e nós até já nem vamos para o Montijo. Parece perigoso mas é seguro. Há um passageiro a remar ao mesmo tempo e lado a lado com a barqueira. Ele está a remar porque quer. Ela não lhe pediu nada. Depois o barco está a andar tão depressa e já não é no rio. E a barqueira continua a remar, o mesmo passageiro continua a ajudá-la e remam os dois muito bem. O passageiro é um homem novo, um rapaz suponho. Até pode ser que seja o Drew. Só que agora andam de barco no asfalto da cidade, a grande velocidade. Eu grito-lhes que parem. O barco a remos desvia-se de carros, nos cruzamentos, e os carros desviam-se do barco a remos que não tem travões. E as ruas são largas, rodeadas de casas com jardins e cruzamentos com muita visibilidade. É uma zona periférica mas muito boa. A aquela forma não é a melhor, mas era a que estava à mão, porque nós já lá estávamos dentro. O barco agora está num cruzamento, parou entre automóveis que se desviam, e outros que também pararam. Não há engarrafamentos.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
O urso passeia por uma trela
NOITE DE 5 PARA 6 DE OUTUBRO DE 1997
Um urso bebé. Passeia por uma trela, é para ser entregue a um amigo meu, homossexual. Andamos pelas vielas, ruas estreitas de uma cidade. A luz é amarelada, uma luz de candeeiros de petróleo, à noite. O urso, que está bem seguro, solta-se. E agora anda por cima dos automóveis. Tento deitar-lhe a mão. Tem o pêlo áspero. O meu amigo que é o dono do urso, vai limpá-lo, penteá-lo, lavá-lo com champô para ficar cheirosinho. Esse amigo tem outro amigo.
Depois estou a mudar a minha cama, no quarto. Quero que ela apanhe a luz do dia, para eu poder estar na cama a ler. É um quarto de passagem, porque esta casa não é minha, ou não é a casa definitiva. A cama vai ficar num local onde normalmente as camas não ficam. Com a cabeceira encostada a uma janela. A janela é grande, tem portadas de madeira, lá fora está muita luz do dia. Há vento. As cortinas esvoaçam. Arrasto a cama sozinha. Talvez não seja a melhor solução estética, mas é a mais favorável para ler.
Um urso bebé. Passeia por uma trela, é para ser entregue a um amigo meu, homossexual. Andamos pelas vielas, ruas estreitas de uma cidade. A luz é amarelada, uma luz de candeeiros de petróleo, à noite. O urso, que está bem seguro, solta-se. E agora anda por cima dos automóveis. Tento deitar-lhe a mão. Tem o pêlo áspero. O meu amigo que é o dono do urso, vai limpá-lo, penteá-lo, lavá-lo com champô para ficar cheirosinho. Esse amigo tem outro amigo.
Depois estou a mudar a minha cama, no quarto. Quero que ela apanhe a luz do dia, para eu poder estar na cama a ler. É um quarto de passagem, porque esta casa não é minha, ou não é a casa definitiva. A cama vai ficar num local onde normalmente as camas não ficam. Com a cabeceira encostada a uma janela. A janela é grande, tem portadas de madeira, lá fora está muita luz do dia. Há vento. As cortinas esvoaçam. Arrasto a cama sozinha. Talvez não seja a melhor solução estética, mas é a mais favorável para ler.
Na casa da minha avó
NOITE DE 29 PARA 30 DE SETEMBRO DE 1997[...] Da minha carteira saem fotografias antigas. São fotografias minhas quando tinha seis, sete anos. É que, quando estava à espera de ser atendida junto do balcão ao ar livre, que era uma espécie de balcão de mercearia, e naquela sonolência que me invade, ouço o som de uma chave a cair pelas escadas abaixo. Faço uma espécie de corneta de papel para ouvir com maior nitidez o ruído metálico, ligeiramente musical, da chave a bater de degrau em degrau, e fico a ouvir porque acho que, pelo som, posso descobrir em que andar ela acaba por parar. A chave, finalmente, pára. Então as fotografias animam-se. Vejo-me a correr, num quintal. Às vezes danço. Tenho ternura por aquela eu de sete anos, que tem tanta, tanta intensidade. E tanta alegria. Penso: «oh, eu era linda». […] Finalmente vou a casa da minha avó. Entro, não está ninguém no rés-do-chão. Ouço barulho no andar de cima. São as criadas a tratar dela. Continua a ter duas criadas. Uma é da maior confiança. É a Maria. A minha avó está doente. Está na fase terminal da sua vida. Penso que não fala. Espero, ao fundo das escadas. Ela passa, com as criadas, olha para baixo e vê-me. Faz um gesto imperioso para me mandar subir. Tem cabelo curto. Penso: «sempre foi uma mulher muito voluntariosa, uma mulher com muita força». É mais alta do que eu me lembrava. De modo que subo, corro, pelas escadas acima, e lanço-me nos seus braços e penso: «afinal ela gostava mesmo de mim. E ainda gosta.» A certeza desse amor de sangue, dá-me tranquilidade e segurança. [...] Ela dança. Dança, dança, dança. Rodopia comigo e eu vou atrás, porque me agarra com muita força, e tento, ao mesmo tempo, segurá-la, para ela não cair, porque está velha e doente, e pode magoar-se. Só que já não tenho força para a segurar por muito mais tempo, e ninguém me está a ajudar. Depois estamos no quarto dela, e é muito pequeno, só lá cabem três pessoas, e eu fico mais ou menos à porta. Falta entrar a minha cadeira. […]
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