domingo, 3 de dezembro de 2006

Eu, o Paulo e o bebé do Paulo

18 PARA 19 DE FEVEREIRO DE 1995
Levo um bebé ao colo. Este bebé é do Paulo, mas aninha-se tão bem, e enrola-se tão confortavelmente nos meus braços, que não me pesa, e pelo contrário, é muito bom tê-lo assim. Depois vejo que tem a cara suja. E suja-me a mim, também, porque bolsa, e muito. Procuro uma casa de banho. Há duas, mas escolho a dos homens, onde está o Paulo a lavar as mãos. Entro e começo a lavar a minha cara, depois as minhas mãos, e só depois ligo ao bebé, que está feliz, no meu colo, a rir-se para o espelho.
Depois meto-me num eléctrico que é um comboio, ou o contrário. Primeiro eu estava à procura da estação, mas não era nada fácil encontrá-la. Depois ensinam-me. Entra-se por uma espécie de quinta, mas é uma quinta cheia de edifícios baixos, casas de habitação. Sinto, quando entro ali, que é como se ganhasse uma certa independência em relação ao que fica cá fora, uma vez que ninguém, a menos que eu queira, pode dar comigo ali.
Sei que me procuram. Fico contente por saber que só me encontrarão quando eu quiser.
Tudo aquilo é velho e mal conservado, mas, ao mesmo tempo, é bonito como se estivesse abandonado há muito tempo.
Entro no comboio que é um eléctrico. Adoro a viagem que ele faz. Calma e longa, através de uma cidade que é o Porto. O Lula vai ao meu lado. Engana-se a mexer num telemóvel. Ouve-se uma voz. É o pai do Zé. Olhamos um para o outro, como se ele não devesse ter feito aquilo. O Lula toma a iniciativa e simplesmente desliga o telemóvel.

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